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Vacinação e as Doenças Inflamatórias Intestinais


Vacinação e as Doenças Inflamatórias Intestinais

Vacinação e Doença Inflamatória Intestinal

Dr. Humberto O. Galizzi

Presidente da Sociedade de Gastroenterologia de Minas Gerais

 

Há situações em que os portadores de doença inflamatória intestinal (Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa) encontram-se mais susceptíveis a contrair infecções, pelo fato de sua imunidade encontrar-se reduzida. Por exemplo, quando estão desnutridos. Mas, sem dúvida, a situação que mais frequentemente confere risco de infecções é a redução da imunidade (ou imunossupressão) provocada por algumas medicações utilizadas no tratamento da doença, tais como: corticosteróides; tiopurinas (azatioprina e 6-mercaptopurina); metotrexato; e os biológicos (infliximabe, adalimumabe, certolizumabe e vedolizumabe).

Várias das doenças infecciosas a que os pacientes imunossuprimidos estão sujeitos, podem ser prevenidas através da vacinação. Por isto, é muito importante que o médico prescreva vacinas aos seus pacientes portadores de doença inflamatória intestinal. Entretanto, existem particularidades do contexto da doença, que devem ser observadas.

Uma delas se refere ao tipo de vacina. Existem, basicamente, três tipos de vacina:

Feitas de bactérias ou vírus inativados (mortos);

Feitas de bactérias ou vírus vivos atenuados;

Feitas de componentes de bactérias ou vírus sintetizados em laboratório.

As vacinas feitas de bactérias ou vírus inativados (mortos), e também as feitas de componentes destes microrganismos sintetizados em laboratório, podem ser administradas aos portadores de DII independentemente de estarem, ou não, imunossuprimidos. Isto decorre do fato de que estas vacinas não conferem risco de provocar doença, mesmo em pessoas que estejam com imunidade reduzida. Como exemplos destes dois grupos de vacinas, temos:

- Influenza (gripe comum + gripe H1N1)

- Pneumocócica

- Tétano (dT)

- Hepatite A

- Hepatite B

- Meningocócica

- HPV

A única ressalva que se faz neste caso é que, se a vacina for administrada após o paciente ter iniciado o uso de medicamentos que reduzem a imunidade, sua eficácia poderá ser reduzida. Isto acontece porque o indivíduo imunossuprimido poderá não ser capaz de criar anticorpos em resposta ao estímulo antigênico da vacina. Assim, o melhor momento para o paciente receber a vacina é antes do início da medicação imunossupressora (idealmente, 1 mês antes). Entretanto, deve-se vacinar o paciente mesmo se ele já estiver fazendo uso de medicação imunossupressora.

Já as vacinas feitas com bactérias ou vírus vivos atenuados podem provocar doença (inclusive grave) em situações de imunidade reduzida, razão pela qual estão contraindicadas nos pacientes que estiverem em uso de medicamentos imunossupressores. Exemplos destas vacinas são:

- Febre amarela

- Triplice viral (sarampo-caxumba-rubéola)

- Poliomielite oral (Sabin)

- Influenza inalada (spray nasal)

- BCG

- Varicela

- Herpes zoster

- Febre tifóide oral

 

Em pacientes que não estiverem em uso de medicação imunossupressora (por exemplo, em uso de mesalazina apenas), estas vacinas podem ser administradas. No entanto, caso haja perspectiva de início destes medicamentos, eles somente deve ser iniciados cerca de 1 a 4 meses após a vacinação (deve-se verificar caso a caso). Por outro lado, para um paciente que interrompeu o uso de medicação imunossupressora, vacinas de microrganismos vivos atenuados só devem ser administradas cerca de 3 a 4 meses após a interrupção da medicação.

 

Maiores informações podem ser obtidas no site da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBim):

http://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao/calendarios-de-vacinacao-pacientes-especiais/