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Terapia Biológica


Terapia Biológica

Dra Marta Brenner Machado

Presidente da Associação Brasileira de Colite e Doença de Crohn (ABCD)

Caros amigos da AMDII, é com muita honra e prazer que aceito este desafiador convite, que é escrever uma coluna periódica neste site, uma mídia de tão magnífico alcance. Os amigos a que me refiro são todos os interessados em conhecer um pouco mais sobre sua doença, ou sobre a doença de alguém, as complicações e o manejo farmacológico.

Por outro lado, penso que através dos muitos anos e da experiência de tratar da vida dos pacientes com Doença Inflamatória Intestinal (DII), também é importante conversarmos sobre outros temas, que podem ser pertinentes aqui. Quem sabe, também podemos conversar sobre saúde, música, cinema ou gastronomia? Eu também aceito. Aceito por que não tenho nenhuma dúvida de que a distração também auxilia na qualidade do raciocínio. Aceito por que já vi alguns indivíduos descobrirem outros motivos para viver, até mesmo outros talentos dentro de si – e desconhecidos, portanto - , quando envolvidos em atmosferas diferentes da doença em si. E, finalmente, aceito para estar perto de vocês e ajudá-los a percorrer esta estrada a que damos o nome de “vida”, da melhor maneira possível.

A pergunta que me foi enviada: quais os motivos que impedem o uso de biológicos? Vamos lá, hoje no Brasil dispomos de 3 biológicos no mercado, a saber, o infliximabe, o adalimumabe e o certolizumabe. Proximamente outros estarão chegando e precisamos nós médicos, pacientes e todos os profissionais que interferem direta ou indiretamente no manuseio dos biológicos, saber o que temos em nossas mãos.

Vamos iniciar nossa conversa afirmando que a correta indicação deve ser o nosso principal objetivo: saber quando e porque usar a terapia biológica, pois nem sempre ela está indicada. A partir da indicação, a tomada de decisão junto com o paciente sobre riscos e benefícios é um ponto fundamental.

Para um entendimento geral, exceto na contraindicação referente a alergias ou reações de hipersensibilidade ao produto, eu diria que em mais ou menos 10 situações devemos ter muita cautela para usar ou não a terapia biológica (e estas situações, muitas vezes, são reversíveis, proporcionando um possível uso no futuro):

Infecções ativas bacterianas, fúngicas ou virais (atenção para vírus da hepatite B, C e HIV)

Presença de abscessos abdominais, perianais ou em qualquer outro sítio

Tuberculose ativa ( atenção para reativação de tuberculose latente)

Neurite optica

Esclerose múltipla

Neuropatia periférica

Insuficiência cardíaca grau III ou IV

Outras comorbidades descompensadas

Linfoma ou outras neoplasias malignas previas (contra indicação relativa que deve ser avaliada com o oncologista)

Não adesão do paciente às orientações médicas de segurança e controle periódico.

Sempre que converso com meus pacientes para iniciar um tratamento com terapia biológica, faço a seguinte comparação: vamos iniciar uma viagem de carro muito longa, então precisamos escolher o roteiro, conhecer a estrada, saber dos hotéis na rota e principalmente revisar muito bem nosso carro. Nosso carro precisa de uma completa revisão da mecânica, itens de segurança, tanque de gasolina cheio e pneus calibrados. E ...não esqueça do cinto de segurança!

Por que? Por que imprevistos existem! Como na terapia biológica!

Vivemos num país de condições sanitárias às vezes precárias, surtos epidêmicos de gripe, tuberculose e agora, nem um mosquito conseguimos controlar: assim, precisamos estar preparados para os imprevistos da nossa viagem, mesmo tendo todos os cuidados programados previamente.

Fazendo uma comparação com a terapia biológica, então é preciso que exista a proximidade com o médico, para qualquer dúvida ou novo sintoma que apareça, e que esta união possibilite rapidamente o encontro de uma rota alternativa. Imprevistos de fato ocorrem, como as reações adversas das drogas, a perda de resposta, a formação de anti-corpos contra a medicação, e até mesmo outras reações imunológicas podem acontecer.

Portanto, vamos juntos e com todos os ítens de segurança revisados nesta viagem, e também vamos preparados para os imprevistos!

Furou o pneu? Estamos impedidos de usar terapia biológica? Vamos trocar o pneu e seguir uma nova viagem!

Um grande abraço e até a próxima.

 


Dra. Marta Machado