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Suplementação Esportiva nas DII


Suplementação Esportiva nas DII

Suplementação esportiva na DII

 

Muitas vezes os pacientes com DII iniciam atividades físicas em academias ou mesmo na rua como a corrida e o ciclismo e logo em seguida procuram um nutricionista com o intuito de iniciar uma suplementação esportiva para ganho de massa magra, melhora da performance e seu condicionamento físico. Se o tema suplementação naturalmente gera muita polêmica e apresenta divergências entre diferentes profissionais, imagina quando se tem uma DII associada! E então, como proceder? Para iniciar, é preciso que o leitor com DII saiba de alguns quesitos fundamentais quando o assunto é suplementação. Em primeiro lugar, uma alimentação diariamente balanceada, diversificada, que oferte alimentos de todos os grupos, em quantidades adequadas para cada indivíduo, dispensa o uso de qualquer tipo de suplementação. É possível um praticante de atividade física, também denominado desportista, obter resultados satisfatórios como ganho de massa magra e redução da massa de gordura somente com uma alimentação saudável e que atenda as suas necessidades nutricionais. Para isso, também é necessária a intervenção de um educador físico, profissional capacitado para elaborar um programa de treino, conforme as características e objetivos do desportista.  Um segundo ponto importante é que o uso de suplementos para nutrição esportiva em geral, é considerado desnecessário para quase todos os desportistas, visto que a alimentação pode oferecer todos os nutrientes que ele necessita. Recomenda-se o uso de alguns suplementos especificamente para aquele indivíduo considerado atleta, o qual realiza exercícios físicos com especialização e desempenho máximos, com o intuito de competir e exercer esforço muscular intenso. Mesmo assim, deve-se avaliar cada atleta individualmente, pois mesmo sob essas condições, muitas vezes ele não necessita de suplementação. Em raros casos um desportista pode requerer algum tipo de suplementação, mas isso dependerá de seu metabolismo, rotina diária, freqüência e duração da prática de determinado exercício bem como da quantidade e qualidade dos alimentos consumidos durante o dia. Muitas vezes as pessoas buscam na suplementação a solução para seus problemas e na verdade, o que ela às vezes precisa é simplesmente de uma alimentação saudável e balanceada. Um fato que os leigos em geral não sabem é que o uso indevido de suplementos pode causar elevada produção de compostos nitrogenados e comprometimento da função do fígado e dos rins, causando doenças e resultando em perda da saúde e da qualidade de vida. E além disso, já é descrito que o excesso de suplementos no corpo é metabolizado gerando gordura, a qual ficará armazenada no organismo. Pensando nisso, até onde vale a pena praticar uma atividade física para perder gordura corporal e tomar suplementos que vão resultar em sua reposição? Outro ponto importante que o paciente com DII deve saber é que um suplemento esportivo só pode ser prescrito por um nutricionista ou pelo médico do esporte. Portanto, se amigos, parentes, vizinhos e outros profissionais lhe incentivam e indicam o uso de suplementos, o melhor a fazer é não seguir esses conselhos e procurar por um profissional que realmente entende do assunto e que pode prescrever e orientar quanto a necessidade da suplementação, possíveis benefícios e desvantagens. E tem mais umas questões fundamentais na relação suplementação esportiva-DII: em qual fase da doença o paciente se encontra? Ele pode receber esse tipo de suplementação? Qual o tratamento medicamentoso em uso? Pode ocorrer alguma interação entre o suplemento e o medicamento? Além do mais, você paciente, sabe como escolher um suplemento esportivo de boa qualidade, isento das chamadas “substâncias proibidas”? É preciso muita cautela considerando-se todas essas colocações. Os suplementos podem ter componentes adicionados em sua composição que sejam agressivos para a mucosa intestinal e prejudicar a doença. Alguns suplementos contêm lactose, outros não, sendo este carboidrato bem tolerado por alguns pacientes mas não tolerado por outros, o que requer conhecimento para selecionar o suplemento apropriado. Suplementos como maltodextrina e dextrose não são recomendados durante a fase de atividade da DII bem como os termogênicos. Dependendo do tratamento medicamentoso realizado o uso de suplementos, especialmente aqueles a base de aminoácidos e proteínas (que na grande maioria das vezes é desnecessário, pois o aporte protéico é facilmente obtido pela dieta) pode não ser recomendado. Alguns medicamentos de uso crônico naturalmente causam estresse sobre o fígado, órgão com importante papel no metabolismo em geral, incluindo o metabolismo dos aminoácidos e proteínas da suplementação além daqueles naturalmente presentes na alimentação, podendo gerar sobrecarga sobre o órgão e comprometimento de sua função corporal. E aí, será que vale a pena sobrecarregar o fígado com um suplemento que para um desportista não tem muita utilidade? Será que vale a pena deixar de consumir um alimento que oferece proteína em quantidades adequadas para usar suplementos?

Muitas coisas devem ser consideradas antes do paciente com DII iniciar uma suplementação esportiva. Um primeiro passo é consultar com um nutricionista para que ajustes na alimentação sejam realizados e logo em seguida avaliar a necessidade do uso de suplementos. Se houver indicação, o próximo passo é aprender a selecionar o suplemento, como usar, qual sua finalidade, composição, quantidade a ser consumida e horário. Além disso, é preciso verificar a fase da doença, os medicamentos em uso e exames bioquímicos recentes do paciente. E por fim é indispensável um processo de educação alimentar e nutricional, de modo que o paciente se conscientize que na grande maioria dos casos somente a alimentação saudável é capaz de proporcionar benefícios quanto à composição corporal e melhora da performance e condicionamento físico. Quanto mais natural for a alimentação de um paciente com DII, maiores os benefícios. E lembre-se: é preciso que o paciente seja disciplinado!! A alimentação deve ser adequada ao indivíduo, a atividade física deve ser realizada conforme instruído pelo educador físico e suplementos podem apresentar benefícios não são milagrosos! É preciso um equilíbrio entre nutrição, suplementação, atividade física e adequado tratamento clínico da DII para que o paciente possa alcançar o resultado tão desejado, de forma saudável e produtiva.

 

Dra Lana Claudinez dos Santos

lanaclaudinez@gmail.com

Nutricionista do Ambulatório de Intestino do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do grupo Renutra. Professora Universitária no Centro Universitário de Sete Lagoas/Unifemm. Graduada em Nutrição pela Faculdade de Pará de Minas (2008), Mestre em Bioquímica pela UFMG (2011) e Doutora em Imunologia pela UFMG (2015). Atua nas seguintes áreas: Doenças Inflamatórias Intestinais (Retocolite Ulcerativa e doença de Crohn), doença celíaca, intolerância à lactose, síndrome do intestino irritável, diarreia crônica e constipação intestinal; gastrite e úlceras gástricas; doenças cardiovasculares; obesidade, desnutrição e controle de peso.