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FodMaps e a DII: E agora?


FodMaps e a DII: E agora?

Você deve estar pensando o que significa esse termo diferente, FodMaps, e o que ele tem a ver com a nutrição, não é mesmo? De acordo com a Federação Brasileira de Gastroenterologia, FodMap é o termo usado para designar um conjunto de alimentos fermentáveis que são mal absorvidos no intestino e que podem causar sintomas intestinais como gases, dor e inchaço abdominal. Em geral esses alimentos são ricos em alguns tipos de carboidratos, os quais são fermentados pela microbiota intestinal, favorecendo o surgimento dos sintomas mencionados. Os FodMaps têm sido muito estudados nos últimos meses e eles apresentam uma relação direta com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), onde seu consumo por pacientes com essa doença resulta no surgimento de desconfortos intestinais. Em DII, a atuação dos FodMaps ainda não é bem compreendida. Muitos questionamentos existem e mais estudos precisam ser desenvolvidos para entender melhor a ação dos FodMaps na DII.

Em geral os FodMaps podem ser encontrados em diversos alimentos, tais como: leite e derivados; frutas como melancia, maçã, manga, damasco, pêssego, nectarina, pêra, ameixa, abacate, amora, cereja; vegetais como cenoura, beterraba, quiabo, milho, cebola, couve, couve-flor, alcachofra, aspargo, chicória; lentilha, feijão, ervilha, soja; farinhas e massas; carnes processadas; condimentos industrializados, alho e cebola em pó e mel.

 

 

 

 Isso significa que o paciente com DII deve retirar esses alimentos de sua alimentação diária? NÃO! Afinal, vários fatores podem estar associados aos sintomas gastrointestinais comumente observados no paciente com DII. Fatores relacionados à própria doença, a constituição da microbiota intestinal, hábitos alimentares no dia-a-dia, especialmente quanto ao consumo elevado de gorduras saturadas, açúcares, alimentos industrializados e conservantes químicos e o sedentarismo, podem favorecer isoladamente ou em conjunto o surgimento de gases, dores e inchaço abdominal, não apresentando nenhuma relação com os FodMaps. Assim, o paciente deve estar atento e não sair restringindo alimentos de forma inadequada de sua alimentação. Uma dieta restrita é prejudicial para o paciente, pois ele deixa de consumir vários nutrientes importantes para saúde, favorecendo o surgimento de outras doenças. Além disso, um grande número de restrições alimentares dificulta a escolha de alimentos para consumo no dia-a-dia, restringe eventos sociais pela falta de opção de comidas e bebidas e deixa o paciente sem opções para diversificar a alimentação no dia-a-dia, levando a uma dieta monótona, condição que muitas vezes influencia até mesmo no apetite do paciente e em seu estado nutricional. O objetivo da nutrição para o paciente com DII é oferecer uma vasta opção de alimentos, respeitando a fase da doença em que ele se encontra bem como as suas demandas, procurando oferecer o máximo de nutrientes, prevenindo deficiências nutricionais, anemia, desnutrição e sobrepeso/obesidade, promovendo assim saúde e qualidade de vida ao paciente no dia-a-dia.

 

 

Dra. Lana Claudinez dos Santos

Nutricionista (Ambulatório de Intestino – Hospital das Clínicas/UFMG)

Mestre e Doutora em Bioquímica e Imunologia