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A nutrição nas Doenças Inflamatórias Intestinais


A nutrição nas Doenças Inflamatórias Intestinais

A Nutrição nas Doenças Inflamatórias Intestinais

 

As Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) se caracterizam por um processo inflamatório crônico, destrutivo, de etiologia parcialmente conhecida, que acomete o trato gastrointestinal. Apresentam curso clínico marcado por períodos de remissão ou de atividade inflamatória e seus representantes são a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa.

O tratamento das DII requer a atuação da equipe multidisciplinar, envolvendo gastroenterologista, coloproctologista, nutricionista e psicólogo/psiquiatra. O papel do nutricionista, aqui destacado, é fundamental no tratamento das DII. As DII apresentam diferentes particularidades e a abordagem nutricional deve considerar as necessidades de cada paciente, as características da doença e sua fase (atividade ou remissão).

O acompanhamento nutricional do paciente com DII visa prevenir a instalação de deficiências nutricionais e outras doenças ou tratar esses distúrbios quando já estiverem presentes. Duas condições preocupantes em DII incluem a desnutrição, que acomete grande número de pacientes, especialmente aqueles com Doença de Crohn em atividade e o sobrepeso/obesidade, muitas vezes prevalente nos pacientes com DII em remissão.

A desnutrição é decorrente da má alimentação, má absorção dos nutrientes e da diarreia frequente. Por outro lado, o excesso de peso, especialmente de gordura corporal, pode ser devido ao uso prolongado de glicocorticoides, má-alimentação e falta de exercícios físicos diariamente, caracterizando um quadro de sobrepeso/obesidade que pode interferir na doença intestinal e desencadear outras complicações como as doenças cardiovasculares. Assim, tanto o baixo peso como seu excesso não são benéficos para o paciente, podendo agravar seu quadro clínico e favorecer o estabelecimento de complicações. Portanto, é indispensável que o paciente tenha uma dieta equilibrada, balanceada e saudável, para um adequado estado nutricional e boa convivência com a DII.

Outro objetivo do acompanhamento nutricional é promover a reeducação alimentar do paciente, ensinando-o a se alimentar de forma adequada, com o mínimo possível de restrições. Não é objetivo do nutricionista excluir uma série de alimentos do cardápio do paciente com DII, mas sim, orientá-lo adequadamente para que tenha uma alimentação diversificada e saudável, priorizando a ingestão natural de nutrientes, reduzindo o uso de suplementos, cápsulas e afins. Assim, é importante destacar o papel da nutrição na saúde e qualidade de vida do paciente como um coadjuvante ao tratamento da DII.

 

 

Dra. Lana Claudinez dos Santos

Nutricionista (Ambulatório de Intestino – Hospital das Clínicas/UFMG)

Mestre e Doutora em Bioquímica e Imunologia